Mulheres indígenas e quilombolas e a representatividade nas lutas em MT

Fonte: Gazeta Digital, créditos da imagem: montagem/ Pedro Garcês/ Acervo Pessoal

No contexto do Dia Internacional da Mulher, trajetórias de mulheres indígenas e quilombolas evidenciam a força feminina na defesa de direitos territoriais e na organização comunitária em Mato Grosso.

As mulheres mato-grossenses enfrentam um cenário de desigualdades e violência  no estado. Dados apresentados pela Câmara Setorial Temática de Enfrentamento ao Feminicídio da Assembleia Legislativa de Mato Grosso indicam que o estado registra cerca de 2,7 mortes de mulheres para cada 100 mil habitantes, acima da média nacional de 1,6.

Levantamento realizado entre 2022 e 2025 aponta que municípios como Cáceres, Lucas do Rio Verde, Sinop, Sorriso e Rondonópolis registram taxas superiores à média do país. Mesmo em Cuiabá, onde há maior rede de atendimento, os índices permanecem elevados. A maioria das vítimas tem entre 20 e 49 anos, muitas delas mães.

É nesse cenário que se destacam lideranças femininas que atuam na defesa de territórios e direitos.

Para Eliane Xunakalo, Presiente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) ser mulher indígena e estar em um espaço de representatividade é de suma importância:

“Falar de representatividade feminina indígena aqui no nosso estado é falar das nossas resistências, da nossa ancestralidade, é muito importante porque a gente ecoa as vozes das mulheres e das nossas comunidades, a gente leva as demandas e propõe soluções e ações , com isso a gente tá defendendo oterritório e simultaneamente o nosso corpo, a nossa existência.”, revelou.

Ainda salientou que essa participação feminina se deve em todos os espaços:  Na política, no cacicado, na pagelância, no parlamento;

“É importante porque a gente traz a aldeia e mostra como é a nossa realidade. A mulher é responsável por transferir a cultura, por ensinar a língua, os primeiros passos, a importância dos nossos rios, das plantas, da nossa comida, nossa danças e rituais. A fala feminina traz toda suaancestralidade, sua comunidade, seus guerreiros, lutar ao lado deles mas dizer que é importante estar a frente, ter esse compromisso com cada um e entender que nós mulheres precisamos estar nesses espaços para transmitir respeito as nossas diversidades, porque ser indígena é ser diverso também”.

Liderança indígena

A indígena Eliane Xunakalo, do povo Bakairi, preside a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt). Ela foi a primeira mulher a assumir a presidência da entidade, responsável por articular organizações indígenas em todo o estado.

Sua atuação envolve a defesa de territórios e a participação em debates sobre políticas públicas.

ACERVO PESSOAL

eliane

Liderança quilombola

Já Laura Ferreira da Silva é liderança da comunidade quilombola Ribeirão da Mutuca, em Nossa Senhora do Livramento. Ela atua como coordenadora regional da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) em Mato Grosso.

Sua atuação envolve mobilização comunitária, defesa da regularização fundiária e denúncias de conflitos e ameaças contra comunidades quilombolas.

 

Pedro Garcês

Laura

Em um estado marcado por disputas territoriais, expansão agropecuária e degradação ambiental, mulheres indígenas e quilombolas têm ampliado sua presença na organização política e na defesa dos territórios tradicionais, garantindo a representatividade de todas as mulheres de Mato Grosso.