MPE pede suspensão de leis que flexibilizam porte de arma em 22 cidades de MT

Promotoria afirma que as normas municipais eximem o requerente do dever de comprovar a necessidade da arma para atiradores desportivos.

Leis municipais flexibilizaram o porte de arma de fogo para atirador desportivo e integrantes de entidades desportivas — Foto: Reprodução/Facebook

O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com 22 Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) pedindo a suspensão dos efeitos de leis municipais que flexibilizaram o porte de arma de fogo para atirador desportivo e integrantes de entidades desportivas.

Segundo o órgão, são normas que instituíram, a partir deste ano, o dia 9 de julho como Dia dos Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC), reconhecendo suas atividades como de risco.

Estão sendo questionadas leis aprovadas pelas Câmaras de Vereadores e sancionadas pelo Poder Executivo dos seguintes municípios:

  • Juara
  • Diamantino
  • Confresa
  • Juruena
  • Porto Alegre do Norte
  • Ribeirão cascalheira
  • Canabrava do Norte
  • Serra Nova Dourada
  • São José do Rio Claro
  • Canarana
  • Araputanga
  • Guarantã do Norte
  • Aripuanã
  • Campo Novo do Parecis
  • Campo Verde
  • Cáceres
  • Sinop
  • Colniza
  • São José dos Quatro Marcos
  • Terra Nova do Norte
  • Tangará da Serra
  • Vila Rica

Os municípios de Juruena, Porto Alegre do Norte, Canabrava do Norte, São José do Rio Claro, Araputanga, Aripuanã, Campo Verde, Colniza, São José dos Quatro Marcos e Terra Nova do Norte não atenderam as ligações.

Flexibilização do porte de armas

O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, afirmou que as normas municipais criaram presunção quanto ao risco da atividade de atirador desportivo, eximindo o requerente da autorização do dever de comprovar a sua efetiva necessidade e vinculando a análise da Polícia Federal.

Dessa forma, ele explica, basta que o requerente apresente prova de cadastro a uma entidade de desporto e o registro da arma para que venha a obter, automaticamente, autorização para porte, pois há presunção automática de ‘risco da atividade’ e da ‘efetiva necessidade de porte de armas de fogo’ por atiradores desportivos.

O procurador afirma que isso relaxou os requisitos para a obtenção da autorização concedida a título excepcional pela Polícia Federal.

José Antônio Borges argumentou ainda que as normas suprimiram uma das condições previstas no Estatuto do Desarmamento, facilitando a obtenção de autorização para o porte e flexibilizando norma federal de controle de circulação de armas. Além disso, ocorreu usurpação da competência legislativa da União para dispor sobre direto penal e armamentos.

Conforme o MPE, o Plenário do Supremo Federal já manifestou, em outros julgamentos, entendimento de que porte de arma de fogo é temática afeta à segurança nacional e, com base no princípio da predominância do interesse, declarou a competência privativa da União para legislar sobre a matéria.

Legislação

Embora a posse de arma de fogo seja permitida àqueles que comprovem o cumprimento dos requisitos legais, o porte de arma, ou seja, a possibilidade de circulação com a arma fora do ambiente residencial ou profissional, é, em regra, proibido no Brasil.

Nota dos municípios

Tangará da Serra informou, por meio de nota, que o assunto ainda está na Câmara Municipal e não foi sancionado no município.


Fonte: G1 MT

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